Nas eliminatórias para a França 1998, o Irã provavelmente contava com a melhor seleção da sua história. No entanto, a classificação para a Copa do Mundo da FIFA foi uma tarefa quase impossível. Quando faltavam apenas 20 minutos para o fim do jogo de volta da repescagem contra a Austrália, em Melbourne, os iranianos perdiam por 2 a 0. Na ida, em Teerã, haviam empatado em 1 a 1.
A torcida ansiava que Ali Daei, atacante grandalhão e ídolo no país, resolvesse a questão. No final, oIrã acabou conseguindo a improvável proeza de empatar o jogo em 2 a 2 e levar a vaga nos gols fora de casa. No entanto, o herói do dia não foi Daei, mas sim o seu companheiro de ataque Khodadad Azizi. O baixinho deu um passe certeiro para Karim Bagheri diminuir aos 26 do segundo tempo. Quatro minutos depois, ele mesmo igualou o marcador, calando as mais de 85 mil pessoas que lotavam o estádio.
"O gol contra a Austrália foi o mais importante da minha carreira", disse Azizi, em entrevista aoFIFA.com. "Não só porque foi um momento decisivo, mas por tudo que estava em jogo", completou o atacante, que marcou 11 vezes nos 47 jogos que fez pelo Irã entre 1992 e 2005.
Quando faltavam três rodadas para o término da fase final das eliminatórias asiáticas, o Irã parecia ter a vaga na França 1998 quase garantida. O país era líder do seu grupo, com quatro pontos de vantagem sobre a Arábia Saudita e a China. No entanto, os iranianos somaram apenas um ponto nos seus três últimos compromissos e acabaram ultrapassados pelos sauditas, que ficaram com a única vaga direta da chave.
A segunda chance de ir ao Mundial seria a repescagem continental contra o Japão. Depois de trocar o técnico Mohammed Kohan pelo brasileiro Valdir Vieira, o país perdeu por 3 a 2 para os japoneses. A terceira e última oportunidade então seria o mata-mata contra a campeã da Oceania. Porém, a Austrália não era um adversário qualquer. Comandado por Terry Venables, ex-técnico da Inglaterra, o elenco australiano tinha vários jogadores que atuavam na Europa.
A partida de ida, no Irã, terminou em 1 a 1. Azizi empatou após Harry Kewell abrir o placar. Na volta, no Estádio de Críquete de Melbourne, o atacante, então com 26 anos, não deu chances para o goleiro Mark Bosnich e completou a heroica recuperação do seu selecionado.
"Ali Daei me deu um passe perfeito e eu fiquei cara a cara com o goleiro", relembra Azizi, curtindo o momento que pôs o seu nome na história do futebol iraniano. "Não perdemos a esperança mesmo quando estávamos atrás no placar e o nosso esforço acabou valendo a pena."
No entanto, aquela não foi a primeira vez em que Azizi brilhou no cenário internacional. Antes, ele já havia se destacado na Copa Asiática de Seleções 1996, quando foi eleito o melhor jogador do torneio, em que o Irã terminou em terceiro lugar. O prêmio foi decisivo para que logo depois o atacante fosse escolhido Jogador do Ano na Ásia.
Ao longo da carreira, Azizi defendeu Teerã e Persépolis, equipes tradicionais do seu país natal. Em 1997, foi contratado pelo Colônia e assim se uniu a Daei e Bagheri, pioneiros iranianos no futebol alemão. Na sequência, teve uma passagem de um ano pelo San Jose Earthquakes e, até hoje, é o único atleta do seu país a ter atuado nos EUA.
Azizi encerrou a carreira há quatro anos. Passou então a treinar equipes, começando pelo Aboomoslem, clube da sua cidade natal. Mais recentemente, foi consultor técnico de alguns times, incluindo o Sanat Naft, o seu atual empregador.
O ex-atacante naturalmente se decepcionou com o fracasso do Irã em se classificar para a África do Sul 2010. Porém, acredita que a sua seleção terá um grande futuro. "O povo iraniano adora futebol e sempre tivemos vários jogadores talentosos", disse. "No entanto, se quisermos ter sucesso, precisamos de um plano de longo prazo. Além disso, temos de ser coerentes na organização do nosso futebol."